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Bolsa de valores · Apuração

Não tenho as notas de corretagem: como recuperar todo o histórico na B3

Você não precisa das notas para apurar o imposto das suas operações. O registro do que passou pela custódia da B3 está disponível em planilha, de graça, e leva poucos minutos para baixar.

Por José Aparecido, contador responsável · CRC 1SP-215720/O-SP · Publicado em 19 de agosto de 2026 · Leitura de 11 minutos

No vídeo eu mostro o caminho dentro da Área do Investidor da B3 — 2 min 26 s.

Resposta rápida

As notas de corretagem não são o único registro das suas operações. Tudo o que passou pela custódia da B3 fica guardado e vinculado ao seu CPF, e pode ser consultado na Área do Investidor, em investidor.b3.com.br. O acesso é feito com a conta gov.br e a emissão dos extratos é gratuita. Baixe o Extrato de Negociação em Excel e você terá compras, vendas, datas, quantidades e preços para reconstruir a apuração.

Você não precisa das notas de corretagem

Essa é a primeira coisa a entender, e ela costuma tirar um peso enorme de quem chega até aqui depois de revirar e-mails antigos.

A nota de corretagem é o documento que a corretora emite a cada pregão. É útil, detalhado e traz a composição de taxas. Mas ela não é a única prova das suas operações — e, mais importante, não é o único lugar onde elas ficaram registradas.

No Brasil, a custódia dos ativos negociados em bolsa é centralizada na B3. Cada compra, cada venda e cada transferência que passou por lá ficou vinculada ao seu CPF, independentemente da corretora que você usou. É esse registro que a Área do Investidor devolve para você.

E é gratuito. A consulta e a emissão dos extratos não têm custo. Se algum site cobrar para "recuperar suas notas", desconfie — o dado é seu e o acesso é direto.

Como baixar o extrato de negociação na B3

1

Acesse a Área do Investidor

Vá para investidor.b3.com.br, o portal oficial da B3 para pessoas físicas.

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Entre com o seu CPF

O acesso é feito pela sua conta gov.br. Se você ainda não tem, precisará criá-la — é o mesmo login usado nos serviços do governo.

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Abra o menu Extratos

No menu lateral, clique em Extratos. É ali que ficam os relatórios de negociação, movimentação e posição.

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Escolha Extrato de Negociação

Esse é o relatório que traz as compras e vendas: data, ativo, tipo de operação, quantidade, preço e a corretora que intermediou.

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Selecione o período

Escolha o intervalo que você precisa apurar. Vale conferir até onde o seu histórico alcança antes de assumir que tem tudo.

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Baixe em Excel

O arquivo em planilha é o que interessa: dá para ordenar, filtrar e somar. O PDF serve para conferência visual, não para cálculo.

Há ainda o Relatório Consolidado, dentro do menu Relatórios, que reúne o ano inteiro em um único arquivo, em PDF ou Excel. Ele não substitui o extrato de negociação, mas ajuda bastante na conferência do fechamento.

Os três extratos que importam

Quem baixa só o extrato de negociação sai com metade da história. São três relatórios complementares, e cada um responde a uma pergunta diferente:

ExtratoO que mostraPara que serve na apuração
NegociaçãoCompras e vendas: data, ativo, quantidade, preço e corretoraÉ a base do cálculo de ganho ou perda em cada operação
MovimentaçãoProventos, subscrições, bonificações, desdobramentos e transferências entre corretorasAjusta o custo de aquisição e evita que transferência vire "venda"
PosiçãoO que você tinha em carteira em cada dataConfere o saldo declarado na ficha de Bens e Direitos e valida a quantidade

Baixe os três, do mesmo período. Cruzando um com o outro você identifica furos: uma venda sem a compra correspondente, um ativo que apareceu na carteira sem nota de aquisição, um desdobramento que multiplicou a quantidade sem ter havido compra.

O que o extrato da B3 não resolve sozinho

Ele registra o que passou pela custódia da B3. Fora disso, você precisa de outras fontes. Vale conhecer os limites antes de começar:

O erro que mais gera divergência: transferência entre corretoras

Transferir custódia não é vender. Parece óbvio escrito assim, mas na planilha a coisa engana.

Quando você move seus ativos de uma corretora para outra, o registro mostra uma saída de um lado e uma entrada do outro. Quem monta a apuração no automático lê isso como uma venda seguida de uma compra — e o estrago é duplo.

De um lado, aparece um ganho que nunca existiu, e você paga imposto sobre ele. De outro, o custo de aquisição da posição é reescrito com o preço do dia da transferência, o que distorce todas as vendas seguintes daquele ativo.

Como identificar. No Extrato de Movimentação, a transferência aparece como movimentação de custódia, não como negócio realizado. Se no mesmo dia houve saída em uma corretora e entrada da mesma quantidade do mesmo ativo em outra, sem contraparte financeira, é transferência. Não entra no cálculo de ganho.

Esse é o ponto em que uma apuração feita por conta própria costuma virar divergência na malha — não por má-fé, mas porque a planilha não sabe distinguir movimentação de alienação.

Muitas operações e nenhuma nota em mãos?

Eu levanto o histórico completo, separo o que é transferência do que é operação tributável, reconstruo os custos de aquisição e entrego a apuração mês a mês, pronta para o DARF e para a declaração.

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Do extrato à apuração: o roteiro

Ter a planilha é o começo, não o fim. O caminho até o número que vai na declaração segue esta ordem:

1

Consolidar os períodos

Junte os extratos de todos os anos a revisar em uma base única, ordenada por data.

2

Separar transferências de operações

Marque toda movimentação de custódia. Ela sai do cálculo de ganho e serve apenas para rastrear a posição.

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Classificar por modalidade

Day trade de um lado, operações comuns de outro. As alíquotas são diferentes e os prejuízos não se comunicam entre elas.

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Reconstruir o custo médio

Some taxas e corretagem ao custo de aquisição. Ajuste por desdobramentos, grupamentos e bonificações.

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Apurar mês a mês

O resultado é mensal, não anual. Cada mês tem o seu próprio cálculo e o seu próprio vencimento.

6

Compensar prejuízos

Prejuízo acumulado abate ganho futuro dentro da mesma modalidade. Não usar esse direito é pagar imposto a mais.

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Descontar o IRRF retido

O 1% do day trade e o 0,005% das operações comuns já foram retidos na fonte e são compensáveis no DARF.

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Emitir os DARFs

Código 6015, um por mês de apuração, com multa e juros quando fora do prazo.

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Levar para a declaração

Preencher as fichas de renda variável e conferir a posição na ficha de Bens e Direitos.

Day trade e swing trade: o que muda no cálculo

A classificação da operação define alíquota, isenção e a possibilidade de compensar prejuízo. Confundir as duas é um dos erros mais caros:

Day tradeOperação comum (swing trade)
DefiniçãoCompra e venda do mesmo ativo no mesmo diaCompra e venda em dias diferentes
IsençãoNão existe. Qualquer lucro é tributadoVendas de ações no mercado à vista até R$ 20.000,00 no mês são isentas
Alíquota20% sobre o ganho líquido do mês15% sobre o lucro do mês
Retenção na fonte1% sobre o resultado positivo0,005% sobre o valor da venda
PrejuízoCompensa só com day tradeCompensa só com operação comum
PagamentoDARF código 6015, até o último dia útil do mês seguinte ao da apuração

Um limite que costuma passar despercebido: quem realizou mais de R$ 40.000,00 em vendas na bolsa ao longo do ano fica obrigado a entregar a declaração anual — tendo tido lucro ou prejuízo. É por isso que reconstruir o histórico importa mesmo para quem perdeu dinheiro.

E se a corretora onde eu operava fechou?

O registro não depende dela. A custódia é da B3, e o vínculo é com o seu CPF. Se a corretora encerrou as atividades, foi incorporada por outra ou simplesmente sumiu do mapa, as operações que passaram pela custódia continuam lá.

O que pode acontecer é o extrato trazer o nome de uma instituição que você nem lembra mais — justamente porque o campo registra quem intermediou o negócio na época. Isso é útil: ajuda a reconstruir a linha do tempo e a identificar em que momento a posição migrou.

Não ter as notas deixa o CPF pendente?

Não. Perder um documento não gera pendência cadastral.

A situação "Pendente de regularização" está ligada à omissão de declaração de Imposto de Renda em ano no qual a pessoa era obrigada a declarar. A falta das notas dificulta a apuração e, por tabela, pode levar alguém a não declarar — mas a causa da pendência é a declaração que não foi entregue, não o papel que sumiu.

Operar em bolsa, por sua vez, pode criar essa obrigação: day trade com qualquer lucro, vendas acima de R$ 20 mil no mês com ganho, ou mais de R$ 40 mil em vendas no ano. A análise depende dos critérios de obrigatoriedade de cada exercício.

Entenda aqui como funciona a situação cadastral do CPF, incluindo a diferença entre pendente, suspensa, cancelada e nula.

Consulta oficial e gratuita da situação cadastral: site da Receita Federal

Quando vale procurar um contador

Nem todo caso precisa. Se você fez cinco operações no ano, em uma corretora só, sem transferências, a planilha da B3 resolve. Os cenários que costumam justificar apoio técnico são outros:

Perguntas frequentes

Perdi as notas de corretagem, e agora?

Você não precisa delas para apurar o imposto. O histórico das operações que passaram pela custódia da B3 fica disponível na Área do Investidor, em investidor.b3.com.br, e pode ser baixado em planilha, sem custo.

Como baixar o extrato de negociação na B3?

Acesse investidor.b3.com.br, entre com o seu CPF pela conta gov.br, clique em Extratos no menu lateral, escolha Extrato de Negociação, selecione o período e baixe o arquivo em Excel.

O extrato da B3 é gratuito?

Sim. O acesso à Área do Investidor e a emissão dos extratos não têm custo. Desconfie de qualquer site que cobre para emitir esse documento.

O extrato substitui a nota de corretagem?

Para reconstruir compras e vendas, na maior parte dos casos sim. Mas taxas, emolumentos e corretagem podem não vir detalhados como na nota, e esses valores compõem o custo de aquisição.

Quais extratos eu preciso baixar?

Três. Negociação traz as compras e vendas. Movimentação traz proventos, subscrições, bonificações e transferências entre corretoras. Posição mostra o que havia em carteira em cada data. Juntos, reconstroem a sua história na bolsa.

Transferência entre corretoras é venda?

Não. Transferir custódia não é alienação e não gera ganho tributável. Tratar essa movimentação como compra e venda infla o resultado, cria imposto que não existe e distorce o custo de aquisição das vendas seguintes.

E se a corretora onde eu operava fechou?

O registro não depende dela. A custódia é da B3 e o vínculo é com o seu CPF, então o histórico permanece disponível mesmo que a corretora tenha encerrado as atividades.

O extrato mostra operações em corretora do exterior?

Não. A Área do Investidor registra o que passou pela custódia da B3. Operações em plataformas estrangeiras e com criptoativos precisam ser levantadas nas próprias plataformas.

Não ter as notas deixa o CPF pendente?

Não. A situação Pendente de regularização decorre da omissão de declaração obrigatória. A falta das notas dificulta a apuração, mas não é, por si só, causa da pendência.

Qual o risco de declarar sem apurar corretamente?

A Receita recebe os dados da B3 e das corretoras, e o day trade tem retenção de 1% na fonte sobre o resultado positivo. Declarar com valores estimados, deixar de compensar prejuízos ou misturar modalidades gera divergência e pode levar à malha fina.

Precisa apurar e não sabe por onde começar?

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Conteúdo de caráter informativo, sem promessa de resultado. Alíquotas, limites e regras de obrigatoriedade são definidos pela legislação vigente e podem mudar a cada exercício. A disponibilidade e o alcance dos relatórios da B3 podem variar. Cada caso depende de análise individual dos documentos. Última atualização: 19 de agosto de 2026.